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maktub

artista feito bicho
cruzei o grafite no papel
enrolando teu cabelo
dando nó perto do peito
com os dedos segurando a testa
tu chora feito homem
aprendeu que não pode
se perder

nenhum ato falho

procurei
sabotei nossas conversas
e
preciso aprender, não gostar
me culpando eu chorava
e tu sempre
lutou pra ser a vítima
mentiras
tu só sobrevive dos teus argumentos
chorosos
tu é de mentira
tu é fragil e me diminuía
me deixava lá embaixo
pra ficar mais alto
no tom e na fala
teu discurso me abomina
pulveriza
fez isso
viu eu me importar
ficou rindo da minha estupidez
em querer
te conquistar

maravilhas da vida moderna

imagina que sejamos circo
ninguém foi pra rir
na lona os dois

enrolados

1

estou correndo todos os
riscos
das tuas digitais
rugas
e do pó no espelho
escuto canções
mas eu queria tua voz
de quem acorda e dá corda
mas o nó da tua fala
engasga

não tem enter nem espaço e pontuação correta, nem vc

não posso correr. arranhar teus braços. unhas deslizam socorro. retira de mim. sai desse corpo. me arrasta. pra tua rua, tua casa. estou no asfalto. na quadra que tu deixou. te dei mapas. dei segredos. tu deu o fora. mas não sai daqui. do engasgo. estou mais sentimental que eu. essa noite. mais uma daquelas. quero te chamar pra me encarar. desdenhosamente. se tu for mesmo. corre mais que lola. não sai assim devagarzinho. não se demora no peito. eles cobriram tuas mãos com as minhas

essa foi escutando pixx

espero
como quem tem insônia
com toda inquietação
espero
e tu me observa distante
mas não vem
não diz adeus
mas não vem

somar

não somos compatíveis
não somos

olha só essas fissuras

essa tua bulimia comigo
engole sem mastigar
depois despeja com náusea
proclama o fim dos excessos
e novamente estamos nós
sendo doença e o que resta

hibisco

onde a ortografia embriaga
o grafite borra
pedra sobre pedra
tua sombra no papel
quebra cabeça com teu corpo
labirinto com meias palavras
não sei se monto um humano
ou mera idealização

das pedras

ela grita:
te descobre
de cobre
prata e todas
as pétalas
você continua rosa
sendo mastigado
por dentes
por dentro

sem mais companhia


faço contigo
quando a sós comigo

joão ninguém

aqui embaixo
do meu chapéu mexicano
bocejamos canções
façamos nada
protegidos do sol
num abraço quentinho